sexta-feira, 20 de maio de 2016

Resenha: A Cor da Escuridão - Natália Rodrigues

Eras atrás, alguns povos foram selecionados com uma missão: fazer da Terra um lugar melhor. Mas guerra, fome, tragédias… O mundo estava ruindo, e mesmo com seus poderes sobre o Tempo e o Espaço e o poder de manipular a realidade, cedidos por Shaya, senhora dos Universos, os Carmesins não mais suportaram tanto peso sobre seus ombros. 
Para sobreviver à fúria do espírito humano, eles partem para outro Universo, onde podem viver em paz. Sem saber, entretanto, levam consigo um homem: Randolf, que se indigna pelo fato de a humanidade ser deixada à própria sorte, e fará qualquer coisa para aniquilar os Carmesins. 
Diante da plena Escuridão, eles dependem unicamente daqueles que abandonaram, os detentores da Luz, a única Força capaz de salvá-los. E entre Luz e Escuridão, nasce a esperança guardada no brilho das estrelas e nas notas das canções.
Fechei a parceria com a Natália, autora do livro, a muito tempo atrás. É, confesso, demorei muito tempo para iniciar a leitura, mas me arrependo. Pois a história é fascinante e única. Bem diferente das demais que eu já li. Tudo começa partindo da premissa de que existem dois mundos, o dos humanos e o mundo dos Carmesins, que são nada mais, nada menos, do que humanos escolhidos por Shaya, a deusa do universo retratado no livro, para serem os salvadores da humanidade, manterem a paz e o equilíbrio no mundo. Acontece que com o passar do tempo os Carmesins tornaram-se rancorosos, considerando-se superiores aos humanos, e cansados de tentarem manter o equilíbrio entre a humanidade, que não ouviam seus conselhos, eles mudam-se para outro universo, abandonado suas responsabilidades sobre os humanos e indo viver em um mundo só seu. 


Só que durante essa mudança, um casal de humanos sorrateiramente vai junto, entre eles Randolf. Randolf, ficou indignado pela falta de responsabilidade e pelo egoísmo dos Carmesins, e por isso arquiteta um plano para castiga-los, invocando a Escuridão. Algo meio abstrato e nublado que falta explicações até mesmo no livro, mas que de uma coisa eu tenho certeza: Isso não é nada, ênfase no nada, bom!

Com essa premissa iniciamos a história conhecendo os personagens Emmet e Solana. Irmãos muito próximos, já que sua mãe morreu e seu pai mantém-se ocupado, propositalmente,  no trabalho. Com toda essa atmosfera de solidão eles acabaram por ficarem mais próximos, um buscando abrigo no outro.

Solana é uma ótima pianista e Emmet um ótimo cantor, o melhor, e a melhor, da região. Mas com o clima esquentando em Fykwen, mundo dos Carmesins, eles são chamados para lá, pois só eles possuem o poder de afastar a Escuridão eminente.


Acontece que durante o transporte entre os dois universos, os dois irmão acabam sendo separados. Emmet vai para o castelo de Randolf e Solana vai para a tutela de Crystal, a princesa dos Carmesins. Ficando os dois em lados opostos um do outro. Acabamos por conhecer os motivos de cada lado, os dos Carmesins e o de Randolf, nesta parte da história. Eu fiquei meio confuso, pois ao meu ver os dois lados estavam certos, mas o que mais me convencia era o de Randolf, mesmo ele sendo considerado o total vilão da história, e realmente dando motivos para ser reconhecido por este titulo.

Um outro ponto interessante do livro é que a escrita é totalmente interligada com as músicas, não só na história como também na escrita em si. A autora utilizou como inspiração muitas músicas, dedicando até mesmo os títulos de capítulos para elas. O amor da Natália é notável, basta ler as primeiras folhas do livro para entender do que eu estou falando. E ela conseguiu com sucesso transmitir sua paixão para o livro.

No geral, é um livro de fácil entendimento, meio cansativo em algumas partes, e complicadinho em outras, mas é o normal de um livro do gênero, nada que de fato atrapalhe. A escrita é bem desenvolvida e o final é surpreendente. Ou nem tanto, isso varia de leitor para leitor ueheuheueh Leia e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

5 Lições de vida ensinadas em Game of Thrones

Com a estreia da sexta temporada da mais aclamada série de tv da atualidade, todo o sucesso de Game of Thrones por muitas vezes é atribuído simplesmente aos muitos apelos sexuais e as fortíssimas cenas de ação. Mas não é bem por ai, apesar de ser uma série forte e de fato não ser um daqueles programas ideais para serem assistidos nos domingos a tarde com a família toda reunida, podemos extrair valiosíssimas lições de vida para seguirmos. Tais como:


1- Dependendo do ponto de vista, todos são protagonistas. 

Como é de conhecimento geral entre os fãs da série, não temos um protagonista especifico. Todos os personagens apresentam um elevado grau de importância para o seguimento da trama. Muitos admiram o meio-homem conhecido como Tyrion, já outros preferem a mãe dos dragões, Daenerys precedida de seus mil e tantos títulos. E como sempre, tem aqueles divergentes que preferem o lado negro da força. Poiseh, o espirito gótico dentro de nós fala mais alto e acontece uma admiração quase que imediata pelo bastardo Jon Snow. Mas apesar de esses três personagens representarem uma significativa importância na série, todos os outros também contaram com significativas participações. Ou seja, por mais medíocre que você se sinta, anime-se pois dependendo do ponto de vista, você também pode ser considerado uma pessoa importante na vida real.


2- Todos tem direito a uma segunda chance.

Isso mesmo. E não há exemplo melhor do que a Melisandre para exemplificarmos isto. Antes ela era tachada como bruxa do mal por quase todo mundo, acreditando que o Azor Ahai era o Staniss e fazendo de tudo para leva-lo ao poder, até mesmo utilizando-se de golpes nada éticos. Com isso acabou adquirindo o ódio de muitos, mas ainda assim tendo seus fãs. Mas ao final da quinta temporada a misteriosa Melisandre fez algo que não agradou a todos, queimando a inocente Shireen Baratheon, filha de Stannis, em uma fogueira. Esse fato gerou uma repercução danada, e muitos deixaram explícitos os seus desgostos. Mas com os recentes episódios da sexta temporada a situação mudou. A sacerdotisa de R'hllor realizou algo que todos queriam, tendo assim uma nova chance de redimir-se, ganhando a admiração de muitos, com direito até mesmo a apelido carinhoso: Mel. Então não fique pra baixo. Está sendo zoado? Fez algo de Errado? Acalme-se, respire fundo, puxe uma cadeira e espere a sua segunda chance chegar, vai que sua vida mude da água para o vinho como a da "Mel"? uehueeh


3- Por mais que a sua situação não esteja favorável encare-a com bom humor. 

Problemas na vida todo mundo tem, mas nem todos se comparam com a situação catastrófica que o Tyrion Lannister se encontra. Ele é um anão. Sua mãe morreu durante o seu parto e por conta disso cresceu sendo culpado pelo seu pai. Sua irmã e irmão, que por coincidência possuem um relacionamento incestuoso, nunca o levaram a sério. Não do mesmo modo que seu irmão mais velho te trata. Muito pior, já que na época medieval tudo é mais intenso. Enfim, ele cresceu sofrendo abusos familiares, sendo chamado de Duende, anão, dentre outras coisas. Literalmente, a ovelha negra da família, que aliás, é uma das famílias mais ricas de Westeros. Apesar de todo esse descaso, ele não se deixou abater, sempre levou as coisas na base de seu humor peculiar e no consumo de muita bebida. Inteligente, modesto e orgulhoso, o anão mais amado das telas de tv sempre conseguiu se livrar até das piores situações de formas extremamente surpreendentes e inusitadas. Resumindo: Encare a vida assim como Tyrion Lannister.


4- Até mesmo as causas mais complicadas tem soluções. 



Agora eu não poderia deixar de usar como exemplo a história de superação da tão amada Daenerys Targaryen, Filha da Tormenta, a Não Queimada, Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Senhora dos Sete Reinos, Khaleesi dos Dothraki, a Primeira de Seu Nome, ou, simplesmente, Dany. Dany é uma das últimas Targaryens juntamente com seu irmão Viserys. Ambos tiveram que fugir de seu continente natal, Westeros, abandonando um reinado que era de sua família juntamente com os corpos já sem vida das mesmas. Dany cresceu sem lar, vagando por continentes estranhos e desconhecidos, apenas ela e seu irmão, o qual tentava de todas as formas conseguir um exército para tomar o que lhe é de direito; O Trono de Ferro. Em uma das loucuras de seu irmão Daenerys é prometida em casamento para um selvagem que nem sua língua falava. Muito jovem e ingênua ela só obedece as ordens de seu irmão, casa-se com o selvagem, e começa a fazer parte daquele povo estranho e do qual nada sabia. Daenerys conquista o amor de Khal Drogo, o selvagem, e encontra ali a felicidade. O Destino era promissor para essa jovem, mas como sabemos, felicidade de pobre dura pouco. Khal Drogo acaba morrendo e a deixando sem nada, sem rumo, sem chão. Seu Sol e Estrelas a deixou. Mas em vez de ficar chorando o leite derramado, ela ergueu a cabeça, entrou nas chamas que queimavam o corpo morto de seu marido e saiu de lá com três dragões, seres que até então eram extintos. Nos momentos mais difíceis ela encontrou a sabedoria e força para seguir em frente (pena que esse "em frente" nunca seja Westeros!) por isso é inacreditável acompanhar o amadurecimento dessa personagem, de uma criança ela tornou-se uma legitima rainha, mesmo que no reino errado. Por isso, quando tudo parecer estar dando errado na sua vida, encare os problemas, entre na fogueira, encontre sua força e saia de lá invicto.


5- Nunca comemore vitória antes da hora.


E por último mas não menos importante, aliás, de fundamental importância, NUNCA, em hipótese alguma, jamais, comemore vitória antes da hora. Oberyn Martell que o diga. Ele tinha tudo para ser o personagem mais foda da série, chegou chegando. Almejando vingança e aquecendo nossos corações necessitados de ver a bicho pegar e mostrar aos cretinos quem é que realmente manda. Mas algo dá errado. Na verdade tudo da errado. A luta protagonizada por Oberyn foi uma das melhores da série, sem dúvida nenhuma. Os fãs ficaram chocados ao ver o desfecho que ela teve, que cá entre nós, ninguém esperava, principalmente o Oberyn. Ele lutou bravamente, exibiu suas habilidades e fez o melhor para aumentar ainda mais o seu ego. Ao derrubar seu adversário no chão e vê-lo inconsciente, nada mais justo que erguer os braços para cima comemorando bravamente a vitória sobre esta luta, nada mais que justo, certo? Errado. Por isso, caso você não queira ter o mesmo fim que o Oberyn teve, não comemore vitória antes da hora. Fica a dica.


Enfim, estas foram algumas lições de vida que podemos extrair de Game of Thrones, então, viram só? Game of Thrones não é só violência e estupros. É também uma série educativa que nos prepara para a vida lá fora, por mais nefasta que ela possa parecer. uheueeuehuh. Então, concordam ou discordam das lições?

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Resenha: Os Assassinatos do Professor de Rumba - Danilo Proença Marques

Sinopse: Como seriam as várias maneiras de amar um mesmo homem? Dinho, instrutor de dança da casa noturna mais popular do Recife, carrega consigo paixões, um revólver prata na pélvis, e um passado de ex-policial no Rio de Janeiro, que ele se esforça para apagar.
Violenta e visceral, a narrativa é entrecruzada pela voz de personagens que amam e sofrem com o dançarino. Uma trama das periferias do Recife e de Fortaleza, de muito longe das orlas refrescantes de Aldeota e Boa Viagem.
Brasília Teimosa é o principal cenário dos amores quentes e desesperados dessas personagens que frequentam as noites da badalada Lady Moon, movidas pelo desejo de serem conduzidas pelo professor de rumba.
Dinho, o personagem principal é o professor de Rumba de uma das boates mais populares do Recife. Sua vida noturna e muito badalada rendeu muitas relações com os mais variados tipos de mulheres. Entretanto, apenas algumas ganham destaque nesta obra. Os relatos das mulheres que amam o mesmo homem dão origem a uma história incrivelmente louca, variando desde um amor cretino até assassinatos a sangue frio. É. Bem louca mesmo, e acreditem, super instigante.


Todas as personagens principais presentes no livro possuem alguma espécie de relação com o misterioso professor de Rumba. Todas elas tem consciência do quanto ele pode ser perigoso, mas nenhuma delas resistiu aos encantos daquele cara, iniciando a premissa recheada de amores cretinos. Romances cheios de violência e agressões mas que no fundo, lá no fuuundo, há sim um verdadeiro amor. Mas a história não se prende só a isso. Durante a narrativa conhecemos mais profundamente o misterioso professor de Rumba durante o desfecho de uma história cheia de suspense e ação.

O problema é que eu não posso contar muito. Já que é um livro curto, com pouco mais de 137 páginas, a história é bem breve e cheia de pontos críticos que não podem ser comentados. Ou seja, só lendo mesmo para entender do que eu estou falando! eheuheuehueh


Os diálogos do livro são bem informais, com bastante gírias e palavras típicas da região. O legal é que eu me integrei tanto na história que após a leitura eu ainda estava com o vocabulário dos personagens na ponta da língua! Já a capa, apesar de ser bem simples, eu gostei bastante. Adoro essas capas mais simplistas que utilizam-se de poucos recursos gráficos. Para mim, as vezes, fica muito melhor desta forma. Enfim, sinto que não consegui retratar a real essência do livro nesta resenha. Mas acredito que na verdade não há como fazer isso. Este é um livro para ser lido e ser sentido, simplesmente isso. Entende? :P

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Resenha: O Garoto ao Lado - Laritza Oliveira

Apesar de seu nome, Alice não tem nenhum "País das Maravilhas" à sua volta. Não há nenhum Chapeleiro Maluco, muito menos um gato sorridente por perto. Acontecimentos do passado atormentam sua mente. Ela não pensa duas vezes em se mudar após a separação dos pais, e, em uma nova cidade, em uma nova turma, Alice encontra-se sozinha em seu último ano do Ensino Médio.Mesmo tendo parte de sua família por perto, ela se sente isolada em meio à multidão, e ninguém parece notá-la. Seus únicos companheiros são seus livros e seus escritos. Apenas as palavras acompanham Alice, pelo menos até o dia em que ela percebe que um garoto da sua turma a está observando. Fechada a qualquer tipo de relacionamento, Alice tenta fugir do interesse de qualquer um, mas vê-se intrigada pela presença do "garoto ao lado".
Alice recém mudou-se para Palmas após a separação de seus pais. Morando sozinha e cursando o último ano do ensino médio, acompanhamos o desenrolar de um romance entre dois adolescentes tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes um do outro. Tudo isso acontece em mais ou menos 130 páginas, o que automaticamente transforma a história em algo curto e rápido, e ainda assim, bom.


Apesar de eu não ter os romances como meus gêneros literários preferidos, logo quando eu vi a capa deste livro eu já me interessei. A história de Alice e Nicolas desenvolveu-se muito rapidamente, o que por um lado é até um pouco anormal... Enfim, após as aulas começarem Alice notou um garoto estranho que sempre usava moletom e se mantinha isolado dos demais da turma. Esse garoto mexeu com seu psicológico, hora ou outra ela pegava-se olhando para ele, e o mais surpreendente de tudo é que quando isso acontecia, ele também estava olhando para ela. 

A relação dos dois, até por parte é um pouco forçada, pois eles recorrem a uma primeira apresentação através de um trabalho do colégio. Alguns pequenos altos e baixos fazem parte da trama, também. Típico de romances... Mas diferente dos outros livros, este tem uma história direta, sem muitas enrolações e suspenses. Você só quer saber o desenrolar da relação dos dois. Simples. Nada de grandioso. E incrivelmente isso por si só já foi o suficiente para mim pegar o livro e não guardar enquanto não terminasse a leitura.


O acabamento do livro é perfeito, a capa foi muito bem feita e ficou muito bonita, entretanto eu não a consideraria como sendo ideal para a história. Eu imaginaria algo mais sublimático, algo que tenha mais a ver com o casal do livro, que ao menos na minha imaginação, foi bem diferente do casal usado para ilustrar a capa. Mas nada de muito sério, a capa é linda, a história é cativante, a escrita é super boa... Então só resta comemorar e apreciar este belíssimo livro.

O legal é que como se trata de um livro pequeno, podemos o ler em apenas um dia. Eu o li em uma tarde que eu passei na minha vó, aproveitei o dia de chuva, deitei na cama e li. Não vi as horas passarem, simplesmente fui hipnotizado pelo som dos pingos espalhando-se pelo chão. A cada página que lemos, nos sentimos ainda mais envolvidos com a premissa, e é claro, cada vez mais querendo saber o final, apesar de sabermos que, com toda certeza, iremos ficar querendo mais após a conclusão. Aliás, o final me surpreendeu, não arrebatadoramente, ou até mesmo perdidamente, mas me senti surpreendido. A história em si poderia ter acontecimentos mais marcantes ao redor dela, mas este não foi o foco, o foco mesmo foi o de um relacionamento bonitinho de um casal típico do ensino médio, e o livro cumpriu isso com muitos méritos. Então se você está querendo encontrar um Best Seller super complexo com cenas mágicas e personagens inesquecíveis, esqueça. Mas se você estiver procurando um livro bom para matar o tempo ou curar uma ressaca literária, esse é uma ótima indicação, pois é uma história simples e divertida.  

 

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