terça-feira, 20 de setembro de 2016

Resenha: A lenda de Materyalis - Saymon Cesar

No princípio dos tempos, as sociedades de Hedoron acreditavam nos mandamentos dos servos de Materyalis, suposto deus criador do Universo e da vida. A lenda diz que a divindade se angustiou ao observar os atos corruptíveis das suas criaturas e atribuiu a si toda a culpa da imperfeição dos povos. Sua consciência atordoada separou sua essência em duas entidades, criadoras de ideologias extremistas que dividiram a crença das sociedades. Assim nasceu a materja, a guerra que visa a consolidação de uma verdade entre todas as raças. Avessa ao propósito da contenda milenar, surge uma sociedade secreta, que busca o único artefato capaz de desvendar o que realmente foi Materyalis e, assim, livrar os povos da dúvida que os condenou aos intermináveis confrontos. Mas, para chegar ao objetivo, é necessário usar a misteriosa aptidão de cinco indivíduos habitantes de Aliank, um reino dominado por contradições que podem apressar a ruína do mundo antes que a verdade sobre Materyalis seja revelada.
A Lenda de Materyalis foi um livro que me interessou logo de cara. Por ser um livro de fantasia e se tratar de uma guerra ideológica, assunto que esta bem em alta ultimamente, ele adquiriu minha atenção sem muito esforço. Entretanto o começo dele é um tanto complicado. O autor usou as primeiras 40 páginas (gira em torno disso) para nos posicionar corretamente no meio da história, ou seja, foi um começo com informações atrás de informações. O que na minha opinião, deixou a história bem carregada e com um ritmo lento e que pode ser um motivo que leve a leitores menos interessados a abandonarem a leitura, mas enfim, são meros detalhes, pois após essa saraivada de informações introdutórias, somos apresentados a uma história de escrita envolvente e de ritmo rápido. Entretanto, confesso que eu não absorvi de primeira o conteúdo pesado das primeiras páginas e durante a verdadeira história eu tive que reler para entender melhor o que se passava,  ressaltando que esta foi a minha experiência, e que, obviamente, pode ser diferente de uma pessoa pra outra... Mas apesar dos poréns, fui realmente surpreendido com a história, que demonstrou ser muito mais do que eu imaginei (ainda mais depois das temidas "primeiras páginas"). 


A história parte da premissa de que o universo a qual os personagens do livro vivem foi criando por um único ser superior conhecido como Materyalis, o Deus supremo. E por circunstancias do destino, tal ser supremo dividiu-se em dois. Tendo a essência de Materyalis divida em duas, uma do bem, e outra, do mal. Originando Materyon o benévolo e Marilis o perverso. 

Dado esses acontecimentos, com o passar dos anos surgiu duas novas ideologias com embasamento nestes dois seres, que são elas:

- Teryonismo: São os que acreditam em Materyon, o deus bom.

- Marilismo: São os que acreditam em Marilis, o deus mau.

Tais ideologias também carregam, além de palavras, a personalidade de seus fiéis, com eles espelhando-se na essência de seu deus central. Entretanto, há pessoas que não se adaptaram a nenhuma dessas ideologias e passaram a crer secretamente em uma outra ideologia, o Emylismo que crê  que os dois deuses devem se juntarem novamente para atingir a perfeição, o equilíbrio entre o bem e mau.


Enfim, a história é narrada em terceira pessoa através de relatos das visões mostradas através de um cristal mágico conhecido como Sinkrorbe e vistas por Harcos. Harcos é um profeta participante de uma seita secreta chamada de Venirismo, que visa interpretar e entender o verdadeiro significado das escrituras de Materyalis e para ele cumprir essa missão ele deve encontrar o Sinkra, um misterioso objeto que, segundo o que nos foi informado, é o único que pode mostrar a verdade. E para ele encontrar o Sinkra ele deve recrutar um grupo de pessoas especiais que provavelmente são as presentes nas visões mostradas através do Sinkrorbe.


O livro é dividido no relato de três visões, que nos apresentam cinco personagens que são: Liliel, Sarlakros, Morhariel, Hirlun e Dotter. Esses 5 personagens se unem em uma missão para averiguar o motivo de tantos assassinatos e ataques provavelmente causados por um Majurk (basicamente um humano que se transforma em um urso gigantesco) que vem acontecendo em um ponto remoto de Aliank (O reino).

Achei o desenrolar dessa história bem fraquinho, mas ainda assim bem intenso. Principalmente no final, que é aquela hora em que você finalmente descobre que está se apegando aos personagens e BUUUM, tudo desmorona, e teus sentimentos são totalmente destruídos. A grande jogada não é criar um primeiro livro que acabe com todas tuas dúvidas logo de cara, e sim, fazer uma introdução, até mesmo que pesada, te envolver na história e criar uma sequencia arrebatadora e ai sim, ter criado um livro espetacularmente incrível. Pelo menos foi essa a impressão que eu tive, pois eu me envolvi com a história e estou suprindo altas expectativas para o segundo livro, que creio eu será infinitamente melhor do que este (não que este tenha sido ruim, longe disso... Mas vocês me entenderam, né?).


Por isso, as minhas considerações finais, são que o livro apesar de um começo desanimador, ele compensa com a história, que são os relatos das profecias e apesar de que elas não sejam tão complexas e extraordinárias vistas sobre a perspectiva geral de um livro único, deixam um imenso clima de expectativa para a sua sequencia. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Resenha: O que te Move? - Fernando Moraes

Movimentar-se para não ficar aprisionado à zona de conforto é um dos grandes desafios nos tempos modernos. Quando a abundância impera, certamente a visão de futuro fica mais comprometida, por isso se faz necessário nos movermos para ter propósitos, sonhos e esperança de dias melhores. Saindo do estado conformista, que anula as possibilidades e nos imobiliza por causa do imediatismo, ser protagonista é mais do que ser o ator principal de tudo aquilo que envolve a nossa vida. Ser protagonista é colocar o coração no sofrimento do outro, renunciando a zona de conforto em função de quem precisa de nós. Movimentar um sonho, uma causa, um ideal ou um propósito de vida nos permite despertar para novas oportunidades, aflorando talentos, habilidades, dons e potenciais, nos dando confiança e coragem para seguir em frente. Neste livro, Fernando Moraes o convida a se mover em busca de novos desafios, a ter atitudes que inspiram grandes transformações.
 O que te move? é um livro com um titulo extremamente sugestivo. Os dizeres da capa, o que te move?, nos leva a um questionamento direto sem paralelos, uma pergunta forte e impactante e que ainda enfoca em outras questões derivadas do questionamento principal, como: Quem é você? O que você faz aos outros? Como você faz isso?. O interessante desse livro é que ele não é escrito em um aspecto apenas autor x leitor, ele está muito além. O livro é todo escrito, moldado e articulado voltando-se metaforicamente aos outros, não a nós mesmos. 


O ato de ajudar ao próximo é o principal elemento presente na obra, a caridade, as boas ações entre outras formas de movimentos sociais existentes. Mas como é bem debatido na obra, o ato de ajudar não tem presença somente no fato de darmos dinheiro aos mais pobres, e sim, no sentimento e em todo significado simbólico que está em volta disso. Além disso, em toda a amplitude e vastidão do verbo ajudar, a ajuda não se prende somente ao lado material, mas também, e principalmente, nos atos simples e humildes de bondade que podemos oferecer, por que prender-se somente a ajudar a parte física de uma pessoa, por que não ajudar também, seu psicológico? Mostrar que ela é capaz. Mostrar o potencial que ela tem, faze-lo despertar, e deixar claro que os sonhos só são impossíveis de se realizarem se o seu criador permitir. Temos o poder de decidir os rumos de nossa vida e temos que saber transmitir esse poder aos outros. 


Mas o livro não é só isso, ele é muito mais. Mas não convém ficar falando, por que ele é um daqueles livros que não tem como você explica-lo, só o lendo mesmo para entender do que estou falando. E a escrita do autor é super envolvente deixando toda essa temática que para muitos pode parecer desinteressante em um tema legal de se ler, além do fato de o livro ser super curtinho, o que resulta em uma leitura rápida e envolvente e que nos deixa intrigados muito tempos depois de ter fechado o livro, as muitas filosofias aqui presentes são pertinentes e condizentes com o que estamos passando em nossa realidade. Com certeza foi uma leitura a qual me surpreendeu bastante, e que, indiscutivelmente, me fez ficar submerso em muitas reflexões.  

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Resenha: Sem Filtro - Marcela Tavares

A atriz Marcela Tavares não pediu para ser uma das vozes mais ouvidas da internet. Ela não entrou na fila dos youtubers, não foi lançada por algum famoso e nem fez promessa para conseguir o sucesso a todo custo. Ela apenas ligou a câmera, falou com liberdade e muito bom humor o que vinha à cabeça, e, em menos de seis meses, sua página no Facebook já era uma das mais acessadas da internet brasileira. O quadro “Marcela Sem Filtro”, conhecido por pessoas de todas as idades e classes sociais, tornou-se um grito de longo alcance, representando a voz de muitos brasileiros e até mesmo espectadores de outras nacionalidades. E agora, com mais humor do que nunca, no livro que está em suas mãos. Numa época em que dizer o que se pensa torna-se quase um crime inafiançável, a pequena genial, armada apenas com um celular e grandes olhos verdes, faz a cada semana uma verdadeira revolução nas redes sociais.
A editora Novo Conceito está fazendo altas investimentos em livros de youtuber's, visto que os lançamentos mais recentes são quase todos consistidos por livros desse gênero. Não é o tipo de livro que eu compraria, já que nem sou muito adepto a assistir vídeos do youtube, mas tive a oportunidade de ler o Sem Filtro da Marcela Tavares. Livro onde ela conta, em poucas páginas, como surgiu o seu canal e as diversas reações do povo a respeito dele. 


Assim como o outro livro do gênero que eu li recentemente, da youtuber Bibi Tatto, eu também não conhecia a Marcela Tavares, muito menos o canal dela. Mas achei interessante a história por trás do canal. o canal do jeito que conhecemos começou do acaso, a Marcela já possuía um canal com vídeos semanais e com gravações feitas por material profissional mas não fazia todo esse sucesso. E em um dia, indignada pelo sensacionalismo das mídias brasileiras ela ligou para um amigo seu e depois de muito bate boca ela decidiu gravar um vídeo com a câmera frontal do celular e postou na página do facebook, que tinha menos de mil curtidas.

“Afinal, se um barbudo tatuado, se uma ex-gordinha e se um rapaz que usava óculos escuros no quarto estavam ficando ricos, por que uma loira de olhos claros, que só não virou modelo por falta de 30 centímetros, não poderia tentar?”


E o que não tinha nada para dar certo, acabou dando. O vídeo cheio de palavrões e palavras gritadas, e, sobretudo, com um forte teor crítico, recebeu um pequeno empurrãozinho... Uma das páginas mais conhecidas do facebook, a do MC Maromba, compartilhou o vídeo em sua timeline e marcou a página da Marcela na publicação. E do dia para a noite, o sucesso chegou. Tendo seu sucesso inicial começado no facebook, a Marcela se auto-denomina uma Facebooker acima de youtuber.


Uma das principais reclamações da facebooker é que a nossa sociedade é uma das mais mimizentas que poderia haver. O povo reclama de tudo. Qualquer piada ou comentário inocente poder ser mal interpretado e ocasionar muitas criticas e repreensões. O humorista e ator, segundo ela, tem que sempre cuidar e deixar muito claro suas idéias e ainda assim não é o suficiente para se ver livre do "mimimi" alheio. Eu concordo com ela neste ponto. As pessoas de hoje se preocupam muito mais em encontrar defeitos onde não tem do que viver feliz e em paz. E a internet ajuda bastante para isso, aqui as pessoas falam o que querem sem se importar com a pessoa a quem elas estão criticando.

"Eu costumo dizer que a nossa geração é a mais "mimizenta" de todas. As pessoas confundem o respeito ao próximo, ao ser humano em geral, com uma infinidade de listas comportamentais estabelecidas para criar o papel cansativo de bom moço. O resultado disso é uma mordaça invisível que vai calando bocas e opiniões, pouco a pouco." 




Nos capítulos que compõem o livro a Marcela fala de assuntos variados, desde a sua vida pessoal até o alcance do seu canal no exterior. Também comenta sobre polêmicas que a envolveram  e sobretudo sobre sua vontade de ser quem é, de mostrar que nada nem ninguém a irá impedir de falar o que quer. Ela também mencionou a criação do quadro "Não Seja Burro" de seu canal, o qual consiste em ela sendo uma professora sensual e muito, muito, brava. Um dos vídeos do quadro pode ser visto abaixo:


Enfim, concluindo, o livro é extremamente curto com apenas 144 páginas e cheio de imagens. Com uma fonte de letra bem maior do que o normal. Com isso a leitura pode ser feita facilmente em apenas uma pegada. Volto a falar que este não é um livro que eu compraria, já que ele é tem um publico muito bem definido: Os fãs da Marcela. Mas entretanto, todavia, porém, ele ainda assim foi uma leitura agradável. Gostei de conhecer a Marcela, mas contudo não vi nada de diferente nela que me faça virar um fã assíduo de seu conteúdo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Resenha: Oníria - B. R. Parry

Existe um mundo de cuja existência ninguém suspeita. Um lugar, porém, para onde todos nós viajamos a cada noite. Um universo em que tudo é possível. Oníria, o Reino dos Sonhos. Eliott, de doze anos, aparentemente é um menino como outro qualquer. Até o dia em que sua avó lhe dá uma ampulheta mágica que lhe permite viajar a um mundo tão incrível quanto perigoso: Oníria, o Reino dos Sonhos. Um mundo onde milhares de personagens e universos ganham vida, assim como as coisas mais loucas e assombrosas sonhadas todas as noites pelos seres humanos. Um mundo no qual o espírito do pai de Eliott, mergulhado em um sono misterioso, estaria preso há vários meses. Estudante comum de dia, mas um poderoso Criador à noite, Eliott pode fazer aparecer tudo o que deseja pelo simples e imenso poder de sua imaginação. Explorando Oníria para salvar seu pai, Eliott se verá confrontado com seu extraordinário destino: ele descobrirá que é o Enviado, encarregado de salvar o reino, ameaçado pela sangrenta revolução dos pesadelos.
A história gira em torno de Eliott que com apenas 5 anos perdeu a mãe, que morreu misteriosamente enquanto dormia, sem motivo aparente. E agora, com 12 anos, encontra-se em uma situação ainda mais turbulenta. Seu pai está em coma há 6 meses, e assim como sua mãe, também sem nenhum motivo aparente. Ele está internado em um dos melhores hospitais da região, mas nem mesmo os médicos de lá nutrem esperança em uma possível recuperação. Como se já não bastasse, ele não possui um bom relacionamento com Cristine, sua madrasta, e ainda sofre bullying na escola. 


Eliott vai mal nas provas, tem muitos desentendimentos com os colegas e não possui o apoio de Cristine. Mas isso é o de menos, ele preocupa-se mesmo é com a saúde de seu pai. Tudo era melhor enquanto ele estava acordado, mas os médicos já disseram que o tempo está acabando. O corpo desacordado está perdendo as forças dia-após-dia e que em breve ele ficaria fraco de mais para poder sustentar-se, mesmo com todos os aparelhos já instalados para facilitar essa tarefa. Momentos de muita dor e sofrimento que podiam ser comparados com pesadelos, mas antes fosse, Eliott os enfrentaria com extrema facilidade com os ensinamentos que Mamilou (como chamava a sua avó) havia lhe passado.


Quando a mãe de Eliott morreu, ele passou a ter terríveis pesadelos enquanto dormia. Adquirindo uma fobia pelo sono, mas sua vó, que quando mais jovem, teve o mesmo problema, o treinou para controlar os pesadelos. Ensinou-o que enquanto ele estava sonhando, ele poderia usar sua criatividade para fazer o que quiser, inclusive, destruir os monstros que o atormentam. E para acalma-lo ela contava diversas histórias de um maravilhoso mundo de faz de contas, que ela e ele chamavam por Oníria, o mundo dos sonhos.


Acontece que tudo isso era na verdade um treinamento. Mamilou suspeitava que o pai de Eliott não tinha nenhum problema de saúde e sim, alguma complicação no mundo dos sonhos, em Oníria. Que era um mundo real onde tudo que é ou foi sonhado está presente lá. Inclusive, os sonhadores. Que andam e sonham em seus territórios. Logo após de Mamilou obter a confirmação de que o seu filho estava realmente preso em Oníria, Cristine decidiu seguir em frente. Tomando a cruel decisão de mudar de cidade e deixa-lo sozinho. Eliot, teimoso como sempre, não quis aceitar de jeito nenhum. Mamilou também tentou intervir em defesa a seu neto e ao seu filho, porém foi expulsa da residência de Cristine. Porém, antes de partir, Mamilou contou todas as suas suspeitas para Eliott e o entregou uma pingente em forma de ampulheta dizendo que enquanto ele estivesse usando a ampulheta, ao dormir ele seria transportado à Oníria, e ter consciência de tudo, diferente dos sonhadores comuns, que só sonham e não tem controle nenhum. Eliott, achou tudo isso uma loucura, mas sua Mamilou não brincaria com um assunto tão sério. Ela não diria que o único método de salvar seu pai é ir à Oníria e falar com O Mercador de Areia.


Entretanto, toda essa jornada não vai ser tão fácil quanto parece. Para encontrar o Mercador de Areia, Eliott terá que passar por muitos perigos, incluindo uma rainha muito louca, bruxas, dragões e muitos pesadelos. Tudo muito característico no mundo dos sonhos. E além de a missão de salvar seu pai, ele se verá no meio de uma imensa confusão política no reino.


Oníria cumpre bem com o prometido. Ótimo para quem está começando a ler ou está a procura de uma trama mais leve, porém, ainda assim, envolvente. Minha única queixa é que o livro teve um daqueles finais sem conclusão, com a autora interrompendo a história em um momento bem crítico dela, provavelmente deixando para ser retomada no segundo livro da trilogia, que infelizmente ainda não foi lançado. Em questões de desenvolvimento dos personagens, achei em muitas partes o Eliott um personagem muito chato e revoltado, mesmo que ele tenha motivos para isso. E mesmo a Cristine não sendo uma das melhores madrastas, não consegui despertar ou ter alguma antipatia por ela. Já os habitantes de Oníria foram os melhores. Muito bem criados e arquitetados. Já estou doido para o próximo livro!

 

Copyright @ 2016 Decidindo-se .

Traduzido Por: Templateism