sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Uso Equivocado de Projetos Literários nas Escolas


Recentemente minha escola resolveu promover projetos literários para a disseminação do gosto pela literatura entre os alunos. Em um primeiro momento, foi reservado um tempo para que os estudantes participassem de uma modesta (para não dizer pobre) feira do livro, por assim dizer, na escola. Cada um pegava uma revistinha, um livrinho e sentava em um canto para, teoricamente, ler. Resultado: As muitas palavras que eram para invadir o cérebro através dos textos impressos, transformarem-se em conversas entre os grupos de adolescentes que formaram-se, inevitavelmente. Consequentemente, e aparentemente, o colégio desistiu de manter o projeto. Entretanto, muito tempo depois, hoje, eis que vejo que não foi bem isso que aconteceu. 



Ao entrar na sala, a professora de português já anuncia que iríamos, em seu último período, para a biblioteca realizarmos um momento de leitura. Chegando lá nos foi dito: "Escolham algum dos livros disponíveis em cima da mesa". De fato, podíamos escolher o livro que mais nos interessasse, mas nossas opções limitavam-se apenas para os clássicos brasileiros. Escolhi meu livrinho, "Senhora" do José de Alencar, e fui caminhar entre as prateleiras ver o humilde acervo da biblioteca. Afinal, literatura clássica, definitivamente, não é o meu tipo de leitura predileta. Acontece que enquanto eu avistava um titulo ou outro que me deixasse interessado fui repreendido pela bibliotecária (Ou professora? Não me lembro.) com ela me dizendo "Hoje é só pra ler os livros clássicos!". Tá, né, quem sou eu pra argumentar? 

Os demais alunos, meus colegas, escolheram seus livros clássicos e juntaram-se em um cantinho com almofadas e cadeirinhas. Junte adolescentes loucos para irem pra casa e cheios de energia, que nunca leram um livro na vida (a grande maioria), com livros clássicos de narrativas chatas, complicadas e cansativas. O que os idealizadores do projeto esperavam? Que todos lessem comportadamente, e envolvidos pela história do livro, locassem-o e o levassem para casa. O que aconteceu? Cada olhada, espirro, gemido, enfim, qualquer coisa, gerava motivo para risadas. Eu mesmo, admito: Não fiz questão nenhuma de tornar esse projeto um projeto bem realizado. Ri mesmo. Conversei mesmo. Não li nada.


Chega um momento em que nos é solicitado para que assinássemos uma ficha. Quando ela chega em mim, vejo o que está escrito: "Objetivo do projeto: Disseminar o gosto pela literatura entre os jovens". Não afirmo com todas as letras que foi com esta mesma frase, mas foi algo muito, muito mesmo, perto disso. Neste momento, juro que eu segurei um riso, olhei as capas dos livros clássicos que estavam nas mãos de meus colegas, e pensei: Em que mundo que estas pessoas vivem? Quando que OBRIGAR um aluno a ler um livro CLÁSSICO vai ser cultuar o gosto pela literatura entre os jovens? QUANDO?! Isso não está certo. Nem um pouco. Gente, nem eu que amo ler, e faço isso como hobbie leria um livro clássico com a mesma disposição que leio os livros que geralmente resenho aqui. O ato de obrigar a lermos os livros clássicos sempre vem com aquele mesma antiga argumentação: "São as leituras obrigatórias do ENEM. Tu não vai fazer ENEM?". Ta certo, é importante lermos tais livros, mas não me venham dizer que o que eles querem é despertar o gosto pela leitura desta forma. E mesmo se for, dificilmente eles irão conseguir.


O que eu não consigo saber é o porquê que eles não notaram que desta forma, o que vai acontecer é justamente o contrário do que foi proposto. A pessoa que nunca leu, ao pegar um livro clássico e ver toda a complexidade da escrita, vai imediatamente taxar como chato não só aquele, como todos os livros existentes e consequentemente, vai querer é fugir dos livros em vez de le-los. Na minha concepção o primeiro contato com um livro deve ser com uma obra agradável, de fácil entendimento e que o leitor que a ler, se identifique e se interesse pelo seu conteúdo. Entende? A primeira leitura deve ser uma experiência positiva, e não obrigatória. Coisa muito diferente do que a minha escola está oferecendo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Resenha: Aquele Semestre Incrível - Glauco Stauffenberg

Ela era uma estudante do terceiro ano e ele do primeiro. A escola era a mesma. Os colegas também. Ele quer ser jornalista. Ela, advogada. Ele ama demais, mas ela só quer ter prazer. Dois sentimentos diferentes que todos teimam em chamar de amor. Para ficarem juntos eles terão que enfrentar desafios. Será que estes jovens serão capazes de suportar as pancadas da vida?


Pedro mudou-se recentemente para a cidade grande para iniciar seus estudos no Primeiro Ano do Ensino Médio. Mas antes mesmo de começar as aulas ele já havia se encantado por uma menina de seu novo futuro colégio. Com muito custo, e com uma força de vontade anormal, ele conseguiu preciosas informações de sua amada. Seu nome era Jeane e estava concluindo o Ensino Médio, cursando o terceiro ano. Além disso, para a sua infelicidade, ela já tinha namorado.

Mas para os romances clichês, obviamente, uma história de amor não transcorre tão facilmente assim, se não, que graça teria? 


Pedro em uma insistente teimosia não desiste da moça e não perde a oportunidade de canta-la e conhece-la melhor, e ela, por seu lado, aproveita o anuncio de diversão e embarca com Pedro em uma perigosa aventura pelos arriscados caminhos do amor, por parte dele é claro, já que pra ela, é tudo entretenimento. As aulas começam e começa também o namoro de Pedro e Jeane. Um namoro escondido já que para os olhos dos outros, Jeane nunca deixou de namorar com seu antigo namorado. Mantendo assim uma dupla relação. Com o consentimento de Pedro, que de tão apaixonado não notou a má conduta de Jeane. O que importava era estar perto dela, te-la em seus braços.


Jeane é uma personagem intrigante, esperta e manipuladora. Vive sua vida com o único objetivo de se divertir, não importando que seja as custas do sofrimento dos outros. Mas ainda assim, teve trechos em que ela demonstrou um lado mais sentimental e frágil, mas fica a dúvida: Verdade ou fingimento?

Pedro, dois anos mais novo que Jeane, é menos experiente que ela. Ela que apimenta e controla a relação e ele, na minha humilde opinião, a obedece como um legitimo cachorrinho. Achei ele um personagem sem graça e idiota. Principalmente pelo desfecho que teve a história dos dois... Que, sinceramente, tenho vontade de conta-lo e comentar toda minha indignação, não pelo fato do acontecido, mas sim, pela fraqueza de Pedro. Mas uma coisa eu deixo claro, não consigo ve-lo como vitima.


Minha opinião final acerca da obra ainda não é clara. Fui surpreendido, e gostei dessa surpresa. Mostrou ser um romance melhor do que imaginei, pois me despertou muitas emoções, como raiva e desprezo. O que pra mim, enquadra-se positivamente. Ainda assim, não é uma obra que você pare e diga "UAUUU, O QUE FOI ISSO?", mas considerando o pouco número de páginas, foi o melhor que poderia ser!

Única coisa que não gostei, foi da capa. Preciso ser franco, mas a menina ficou bem desproporcional, né não? Imagino que era pra representar uma personagem gordinha, assim como a Jeane é descirta no livro, mas acho que tal modelo foi trabalhado de maneira errada, ou, se não, poderia ser melhor adaptado. Enfim, outra coisa que me deixou muito irritado foi que quando o carteiro veio entregar o livro, não tinha ninguém em casa, e aconteceu que ele dobrou o livro no meio e enfiou na caixa de correio. Acabou que o livro ficou com um amassado bem desagradável. Não da pra notar muito nas fotos, mas ficou bem marcado! Mais uma frustração pra listra de frustrações da vida. uheuehue. Mas então, concluindo, achei uma leitura válida e intrigante, vale a pena dar uma conferida. Ela é uma obra pequena com 92 páginas e a leitura pode ser realizada facilmente, então, não há o que perder.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Resenha: Guerra do Velho - John Scalzi

A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD - Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar. "Guerra do Velho" é frequentemente comparado a um dos maiores clássicos da ficção científica: Tropas Estrelares, de Robert Heinlein. O próprio Scalzi já confirmou que Heinlein é uma das suas maiores influências e que a obra foi escrita seguindo os princípios que ele acredita serem próprios da escrita do autor que tanto admira. Scalzi é um dos principais nomes da ficção científica contemporânea. Ganhador dos prêmios Hugo e Locus, o autor conquistou público, crítica e mercado. Em fevereiro de 2015, fechou um contrato com a editora Tor Books de cerca de $3,4 milhões, para publicar 13 livros nos próximos 10 anos. O canal SyFy está produzindo uma série de TV – chamada Ghost Brigades – como adaptação do livro, e a Paramount já comprou os direitos para levar a história para as telas do cinema.
Logo que a Aleph anunciou o lançamento deste livro eu já fiquei muito curioso, antes mesmo de saber sobre o que se tratava a obra. Sendo bem franco, só por ser um lançamento da Aleph já é meio caminho andado para ser um livro bom. A editora publica livros ótimos, e com este não foi diferente. Infelizmente, não o li no formato fisico, e sim, em e-book, mas o único ponto ruim é que não terei esta belíssima arte de capa na minha estante. Enfim, dinheiro não ta fácil pra ninguém, né? Mas então, quando consegui o ebook da obra não hesitei nem um pouco em ler, e logo no primeiro dia, já havia lido metade do livro de tão ótimo que ele é. Na verdade, existem livros bons, ótimos e este, que não é nem um, nem outro. Simplesmente algo mais. Não dá pra simplesmente classifica-lo em uma destas categorias, ele é simplesmente perfeito e ponto-final. 


No seu aniversário de 75 anos, John Perry faz duas coisas: Visita o tumulto de sua falecida esposa e, surpreendentemente, se alista no exército. Com os novos rumos que a humanidade tomou, sendo colonizadora de diversos planetas e na guerra para conquistar ainda mais, a idade avançada deixa de ser um problema e sim um caminho para uma nova vida, arriscada, porém, radicalmente surpreendente. Sabe se lá o porque mas a idade mínima para servir ao exército das FCD (Forças Coloniais de Defesa) é com 75 anos. Como que um velho de 75 anos irá defender a terra, e as diversas colônias espaço a fora é o grande mistério inicial. Até mesmo quem se alista só fica sabendo muito tempo depois… Mas de uma maneira ou de outra, para John, qualquer coisa é melhor do que permanecer velho e continuar envelhecendo ainda mais a cada dia que se passa.

“Preste atenção: quando se tem 25, 35, 45 ou até mesmo 55, ainda é possível sentir-se bem com as chances de enfrentar o mundo. Quando se tem 65 e o corpo está diante da ruína física iminente, esses ‘regimes e precedimentos médicos, cirúrgicos ou terapêuticos’ começam a parecer interessantes. Então chegamos aos 75, os amigos morrem, e já trocamos ao menos um órgão principal, precisamos mijar quatro vezes durante a noite e não conseguimos subir um lance de escadas sem ficar um pouco zonzos - e dizem que estamos em muito boa forma para a idade.”


Após se alistar o protagonista parte para Nairobi e vai para a espaçonave onde irá passar por uma minuciosa avaliação para, a partir dai, começar o treinamento. Após o término do treinamento, o qual não é nem um pouco fácil, temos a primeira batalha com os alienígenas. E após essa, muitas outras ocorrem. É legal acompanhar esta fase da história, presenciamos o personagem ganhar força e prestigio por seus atos de coragem e além disso conhecemos algumas das raças com a qual a humanidade está envolvida, que são uma mais louca que a outra. Teve um momento em especial que o protagonista se questionou sobre o real motivo desta guerra, ao se ver simplesmente matando seres alienígenas que não representavam perigo com a justificativa de proteger as colônias conquistadas pela terra. Afinal, pra que tanta violência? Porque não tentar ser mais diplomático? A maneira que esta questão é abordada no livro é interessante, porque afinal, não são só os seres humanos que são violentos, muito pelo contrário...  Enfim, super recomendo a leitura. Este livro é um prato cheio para os amantes de ficção cientifica.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Resenha: A Sombra Daquela Garota - Rafael L. Ferrari

A sombra daquela garota narra a construção de uma difícil amizade entre duas meninas completamente antagônicas. Com foco nas sensações e nas crises existenciais, os conflitos cotidianos delas ganham tamanha força no decorrer da narrativa, que as tornam cada vez mais próximas, levando a uma relação de forte cumplicidade.
A espiritualidade, a sexualidade e a inquietação aflorarão por entre as páginas, carregando, ao mesmo tempo, um teor místico e científico, tão característico na vida dessas adolescentes.
Lola nasceu em uma família extremamente religiosa, tanto até que estudou por muitos anos em um colégio católico. Assim como seus pais, ela gostava de ir as missas e de todos os ensinamentos religiosos que eram discutidos com a família toda reunida para o almoço ou janta. Mas em um momento de crise, o colégio católico que Lola estudava faliu e acabou por fechar as portas, seus pais se viram obrigados a matricula-la em um colégio publico da região. Receosos de a filha ter muitas más influências naquele ambiente “profano” eles a doutrinaram a sempre se perguntar OQJF, O que Jesus faria, diante de todas as situações que a filha se sentisse com dúvidas. Aconteceu que Lola acabou notando muitas contradições no que seus pais diziam. A palavra sagrada foi perdendo seu brilho e com um tempo ela deixou de acreditar em Deus. Abandonou a vida de religiosa e passou a ser a mais cética da escola.

Já Ingrid, nasceu em uma família de cientistas. Seu pai e sua mãe eram professores universitários, ambos lecionavam matérias importantíssimas e complexas, mas Ingrid simplesmente simplificava para Biologia e Física. Uma família de teóricos que em suas conversas, religião era simplesmente perda de tempo. Uma era pior que a outra e etc. Entretanto ao fazer umas pesquisas Ingrid descobriu um movimento chamado Nova Era, mais ou menos como uma religião que busca trazer a magia e misticismo novamente ao ar. Ingrid se encanto nisso, e descobriu que isto era o que faltava para completa-la inteiramente.  


A amizade das duas surgiu na escola muito tempo depois delas se conhecerem. Por tempos a relação delas foi só de um “Oi, tudo bem?” e só. Mas em um dia qualquer Ingrid se sentiu atraída pela garota de cabelos loiros. Atraída de uma forma diferente, mais do que admiração ou simplesmente amizade. Ingrid ainda não entendia, mas só sabia que Lola, a menina de cabelos loiros, mexia com seus sentimentos de uma forma estranhamente gostosa. A aproximação das duas aconteceu naturalmente. Ingrid toda meiga e doce se envolvia cada vez mais com a porra-loca da Lola, toda durona e séria, mas que no fundo, é tão sentimental quanto ela.


O livro fala sobre religião, sexualidade e principalmente sobre auto-conhecimento e auto-aceitação. As consequências de se assumir homossexual e como as pessoas reagem a isso são uma critica latente nas palavras que formam esta história. Os verdadeiros amigos e as mais variadas reações da família são os pontos mais pertinentes. Os pais de Lola, religiosos até o fim, como é o esperado, não reagem muito bem diante da revelação e a situação já turbulenta entre pais e filha só piora. E em uma tentativa de educar a filha e afasta-la do errado, eles decidem se mudarem pra São Paulo e colocar Lola em um colégio católico em regime interno que existe por lá. 

Os pais de Ingrid, todos teóricos e bem estudados, reagem como se a filha não estivesse dizendo nada de mais. Não fazem muito alarde e simplesmente a apoiam, aprofundando ainda mais a relação entre eles. O que dura por pouco tempo, já que eles vivem em um rotina super apertada e que geralmente acaba sobrando pouco tempo para desfrutar momentos com Ingrid. Mas isso não importa. Importa é que Lola irá se mudar, e as duas consequentemente irão ficar sem se ver. O que significa que só sobra tempo para mais uma única e última aventura entre as duas….


A escrita do Rafael é super simples e sem rodeios, extremamente direta. O que acelera bastante o ritmo da leitura, eu li o livro em uma pegada só. Os acontecimentos acontecem rapidamente, a história flui em um ritmo muito confortável. Tudo acontece na hora que tem que acontecer pronto, sem muito mistério. Sendo franco, o A Sombra Daquela Garota, não é nenhum best seller, com acontecimentos revolucionários e bafônicos. Mas é um bom livro para passar o tempo e fazer uma reflexão saudável e superficial. O final não é nada de grandioso, mas na minha opinião, foi o melhor que poderia ter. Consigo imaginar alguns outros finais alternativos, mas nenhum consegue superar a simplicidade e normalidade do acontecido, que mesmo sendo tão real, simples e frio mantém uma chama de esperança para um futuro próximo. Gostei disso porque é algo que foge dos famosos clichês de finais literários. Enfim, só lendo pra entender do que estou falando! uheueheh

 

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