sexta-feira, 14 de março de 2014

O signo dos quatro

“Quantas vezes eu já disse que, tendo eliminado o impossível, aquilo que resta, ainda que improvável, deve ser a verdade?”

Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) escreveu poucos romances. Seus trabalhos mais numerosos são os contos, compilados e editados de diversas formas, através de inúmeras publicações no mundo todo.
 São apenas quatro romances (textos de narrativa longa) escritos e 56 contos, já tive a felicidade de ler todos! sendo eles, os romances: Um estudo em vermelho, O cão dos Baskervilles, o vale do terror e O signo dos quatro, que terá mais destaque neste texto, a seguir, em forma de resenha.

As narrativas de Sherlock Holmes são sempre espetaculares. Uma vez que se comece a leitura, é difícil largá-la antes do fim. Conan Doyle criou um universo de investigação com personagens tão interessantes, que, mesmo após décadas ou séculos, seus textos ainda têm valor inestimável.
Em O signo dos quatro, mais uma vez temos a narrativa feita por Dr. Watson, o médico e fiel companheiro de Sherlock em suas investigações, que se propõe a escrever sobre os casos que os dois desvendam em conjunto.
O livro começa com um Sherlock Holmes extremamente entediado pela ausência de trabalho. Até mesmo depressivo, por não ter um crime para desvendar.

“– Posso lhe perguntar se está em alguma investigação profissional no momento?
– Nenhuma. Daí a depressão. Não consigo viver sem exercitar o cérebro. Do contrário, de que adianta viver? Olhe pela janela. Já houve mundo mais triste e sem sentido? Veja como a neblina amarelada vagueia pela rua entre as casas cinzentas. O que poderia ser mais prosaico e material? De que adianta ter capacidades quando não há onde exercê-las? O crime é banal, a existência é banal, e nenhuma qualidade, salvo as banais, tem lugar no mundo” (Pág. 21).

Contudo, esse quadro logo muda, quando a jovem Srta. Mary Morstan vem recorrer a sua ajuda, a fim de solucionar o desaparecimento misterioso do pai, um oficial que servia na Índia.
O homem havia tirado licença e escreveu para a filha, dizendo que iria para a Inglaterra a fim de visitar a família. Entretanto, quando ela vai ao hotel em que ele se hospedara, sua bagagem continuava ali, mas o homem desaparecera sem deixar rastros. Anos haviam se passado.
Mais dois detalhes peculiares rondavam o caso: todos os anos, a jovem passou a receber na mesma data, uma caixa contendo uma pérola, que, segundo peritos, era rara e valiosa; além disso, na data em que procura a ajuda de Holmes, ela havia recebido um bilhete misterioso, solicitando que se encontrasse com alguém a fim de obter justiça, já que ela havia sido prejudicada.
Assim, Holmes, agora animado com o caso que batera à sua porta, e Dr. Watson, vão junto da moça ao encontro solicitado, dando, assim, início a uma investigação que leva a um final inesperado, com direito a reviravoltas e descobertas que dificilmente algum leitor irá prever.

“Sherlock Holmes dobrou-se para olhar e, instantaneamente, ergueu-se novamente, inspirando profundamente para tomar fôlego.
– Há algo de diabólico aqui, Watson – ele disse, parecendo mais emocionado do que eu jamais vira. – O que você acha?
Olhei pelo buraco e me encolhi. Horrorizado” (Pág. 72).

Além da narrativa de investigação e suspense, o que marca os textos de Conan Doyle são as características marcantes de Holmes. Em O signo dos quatro temos, mais uma vez, todas essas características presentes em grande estilo, sendo elas fundamentais para que o personagem atravesse séculos, e mesmo assim continue sendo um dos mais conhecidos e célebres investigadores, não apenas da literatura, mas também do cinema, teatro e da TV.

Trecho: “Holmes pegou sua lupa e uma fita métrica, percorreu todo o quarto de joelhos, medindo, comparando, examinando, com seu nariz longo e fino a apenas alguns centímetros da marca e os olhos penetrantes e atentos como os de uma ave. Ele agia tão rápida e silenciosamente, parecendo um cão policial seguindo seu faro, que não pude deixar de imaginar como ele poderia ser um criminoso terrível, se tivesse voltado suas energias e sua sagacidade contra a lei, em vez de colocá-las a seu serviço. Enquanto prosseguia seu exame, Holmes não parava de falar consigo mesmo, até que explodiu num grito de alegria.
– Estamos com sorte – disse. – Agora não devemos encontrar mais dificuldades” (Pág. 84).

 

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